Friday, 1 July 2016

As ondas do Rocio Velho

« O Rossio foi empedrado, em xadrêz, em 1837; o empedrado — que todos conhecemos — às ondas negras e brancas, do risco do general Pinheiro Furtado, e executado em parte por presos do Castelo de S. Jorge, datava de 1848-1849, e subsistiu até 1 de Setembro de 1919, dia em que começou, com inúmeros protestos, a transformação da grande placa central, sendo poucos dias depois retirados 16 bancos, e arrancadas 32 árvores.» [1]

Praça D. Pedro IV, vulgo Rossio [1866]
Teatro Nacional Almeida Garret, desde 1910 «de D. Maria II»
 Francesco Rocchini, in BNP

« As grandes praças da tua cidade, com mosaicos negros ondulados, pareciam regadas a tinta fresca.»
(Jean Giraudoux (1882-1844), A jornada Portuguesa, 1916)[3]

« Em baixo, densa população enxameava uma larga praça. Patarroxa, que não perdia pitada quanto a sobrancear-me, com mais envaidecimento do que se tivesse sido ele o calceteiro, chamou-me a atenção para a maneira como era aquele precioso Rossio: ondas pretas e brancas, representadas por meias-luas alternantes de calcário e basalto, que iam rolando, rolando umas sobre outras em ritmado galão. E eu, com a ufana ousadia dum ocupante, fui pisando esse interminável mosaico de curvas e contracurvas, de modo a produzir a imagem, inocente imagem, do mar alto.

Praça D. Pedro IV, Rossio [1880]
Teatro Nacional Almeida Garret, desde 1910 «de D. Maria II»; Convento da Encarnação (dir.)
Fotógrafo não identificado, in AML

Ociosos de grande gaforina e lavallière ao vento, e pobres com ar de vates mal repastados repimpavam-se nos bancos de pedra. E a priori dei por confirmado um velho juízo meu, juízo verdade se diga, que podia prevalecer-se da benditosa largueza com que a Santa Madre Igreja marchetou o calendário de dias santos, de que na capital para muita gente boa a maior parte da semana era domingo. »  [2] [3]

Bibliografia:
[1](ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 68)
[2](AQUILINO, Ribeiro. Lápides Partidas,  [Início do século XX])
[3](JANEIRO, Maria João , Lisboa: histórias e memórias, p. 275)

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